A busca por uma fonte de energia abundante, limpa e segura é o grande objetivo científico do nosso século. Enquanto as fontes renováveis como a solar e a eólica avançam em ritmo acelerado, elas ainda enfrentam desafios de intermitência e armazenamento. É por isso que cientistas do mundo todo continuam empenhados em dominar o processo que alimenta o próprio Sol: a fusão nuclear. Diferente da fissão nuclear usada nas usinas atuais, que divide átomos pesados e gera resíduos radioativos de longa duração, a fusão combina átomos leves para liberar quantidades colossais de energia de forma limpa.

O processo consiste em aquecer um gás de hidrogênio a temperaturas superiores a cem milhões de graus Celsius, transformando-o em plasma. Nessa condição extrema, os núcleos de hidrogênio se colidem e se fundem, gerando hélio e liberando uma quantidade imensa de energia. O maior desafio da engenharia é conseguir conter esse plasma escaldante longe das paredes do reator. Para isso, são utilizados campos magnéticos incrivelmente poderosos em máquinas no formato de rosquinha chamadas Tokamaks, ou lasers de altíssima precisão focado em pequenas cápsulas de combustível.

A grande conquista dos últimos anos foi alcançar o ponto de ganho líquido de energia, momento em que o reator consegue produzir mais energia do que a quantidade necessária para iniciar a reação. Esse marco histórico provou que a fusão nuclear controlada é fisicamente possível. A partir de agora, o foco da comunidade científica mudou da viabilidade teórica para o desenvolvimento de soluções de engenharia que permitam manter essas reações ativas de forma contínua e comercialmente viável.

Se a fusão nuclear for dimensionada para a rede elétrica global nas próximas décadas, os impactos para a humanidade serão incalculáveis. Teremos uma fonte de energia que não emite gases de efeito estufa, utiliza combustível abundante retirado da água do mar e não produz lixo radioativo perigoso. Dominar a energia das estrelas na Terra pode ser o passo decisivo para garantir o desenvolvimento sustentável da civilização pelas próximas gerações.